Desde já devo avisar que este é meu último post, pois estou de volta à minha terra!
Primeiramente, preciso agradecer aos que leram e acompanharam meu blog, gente que eu conheço e gente desconhecida que por acaso, acabou lendo meus posts. Arigatô!
"Segundamente", vou justificar a minha saída da terra do sashimi. A princípio, eu tinha a intenção de voltar só no meio deste ano. Mas, dadas as condições em que vivia:
- trabalho à noite, num período de mais ou menos um ano e meio;
- um dia de folga por semana, dois dias de feriado concedidos no ano;
- trabalho monótono, sem perspectivas de crescimento;
- aumento de impostos;
Acabei perdendo saúde nessa brincadeira. "Vou procurar outro emprego", pensei. Depois, veio-me outra questão: "o que é mais importante pra mim?" Dinheiro? Realmente, não havia outro trampo que trouxesse mais grana sem mais desgaste de saúde. Experiência? Por mais que eu procurasse, vida de operário é mais ou menos a mesma vida sofrida, sem tempo pra pensar em outra coisa. Vendo meus colegas de trabalho, criando famílias e comprometidos com o sustento delas, vi que não lhes restava outra alternativa a não ser trabalhar reclamando sozinhos.
Sei que dois anos e meio de Japão acrescentam pouco em relação a uma vida inteira. Senti, entretanto, que não haveria muito mais a aprender por ali. "Sem tempo pra pensar em outra coisa"? Meu tempo é a coisa mais preciosa; não posso nem devo pensar assim. Conclusão: vou-me embora.
Com certeza, a curto prazo, estou renunciando a uma renda mensal e todas as facilidades que o dinheiro possa comprar. Mas, quem disse que isso é o mais importante? Não tenho mais a grana, mas ganho mais possibilidades de direção da minha vida, sem falar que agora tenho "tempo pra pensar"!
Então, o que fiz desde o último post de janeiro?
Antes disso, uma explicação: por que não escrevi nada desde então? Porque no Brasil tem ladrão de olho em qualquer japonês que vai viajar. Só agora escrevo este post depois de baixar a poeira e sentir que o perigo já não é tão iminente...
A decisão foi dada em janeiro, mas continuei trabalhando até o fim de março, pois pediram-me que ficasse e desse tempo pra que eles procurassem um cara pra me substituir. Já que não tinha tanta urgência em viajar, tudo bem, fiquei. Boa sorte pra eles, pois poucos se submetem a um trampo como o meu.
A compra de passagem foi feita numa agência de turismo perto de onde morava. Uma nipo-brasileira, aliás, me atendeu.
Mais duas tarefas: dar um destino aos meus objetos pessoais e comprar presentes aos parentes.
O volume das coisas que queria levar, naquela altura, já era enorme. Escolhi o que queria levar nas malas e o resto mandei por transportadora. Até agora espero a chegada das minhas caixas, pois elas estão agora viajando de navio, sem contar o tempo em que ficarão paradas no porto, esperando pelo despachante, coisas do Brasil!!
Agora, os presentes...como é difícil comprar coisas pros outros! Mas acho que fiz boas escolhas. Em geral, foram caixas de chocolate, peças de roupa, lencinhos, potes de chá e tal. Para minha família, tinha que caprichar; assim, fui à cidade-luz: Tóquio. Com olhos de quem vai visitar o lugar pela última vez, passeei pelos cantos da megalópole.
Decidi comprar uma bolsa para minha mãe. Entrei num dos Shoppings no distrito de Shinjuku. Ao ver a clientela – senhoras posudas e elegantes – senti-me um peixe fora d´água. Ao conferir os preços das bolsas, tive a certeza: eu Era um peixe fora d´água! Então, elegantemente, fingi olhar todos os modelos, espantei vendedores dizendo que só estava olhando e caí fora. Enfim, encontrei uma loja menor, com preços mais em conta. Enquanto escolhia uma bolsa, uma vendedora chinesa tentava atender uma gringa e um japa falando em inglês!
Bolsa comprada, próxima parada: Akihabara, a Santa Ifigênia de Tóquio! O que se destaca, é a quantidade de lojas de rua, além de galerias, vendendo produtos eletrônicos, peças de computador e muitas lojas de eletro-eletrônicos duty-free, isto é, que não acrescentam imposto ao preço dos produtos. De lá, levei relógios para meus pais.
Claro, ao pensar que você vai visitar tal lugar pela última vez, você acaba querendo mais coisas para si. Eu, um caçador de música, aumentei minha coleção de CDs, comprando o que talvez nunca iria encontrar no Brasil, nem mesmo pela Internet.
Com esse compra-compra de última hora, tive de mandar uma caixa extra por navio, pois nas malas mal cabiam minhas roupas.
Televisão, vídeo, forno micro-ondas, vendi o que sobrou ao meu colega que morava comigo no apartamento.



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