Japan Pop Show


19/05/2007


sayonara (1)

Desde já devo avisar que este é meu último post, pois estou de volta à minha terra!

Primeiramente, preciso agradecer aos que leram e acompanharam meu blog, gente que eu conheço e gente desconhecida que por acaso, acabou lendo meus posts. Arigatô!

"Segundamente", vou justificar a minha saída da terra do sashimi. A princípio, eu tinha a intenção de voltar só no meio deste ano. Mas, dadas as condições em que vivia:

  • trabalho à noite, num período de mais ou menos um ano e meio;
  • um dia de folga por semana, dois dias de feriado concedidos no ano;
  • trabalho monótono, sem perspectivas de crescimento;
  • aumento de impostos;

Acabei perdendo saúde nessa brincadeira. "Vou procurar outro emprego", pensei. Depois, veio-me outra questão: "o que é mais importante pra mim?" Dinheiro? Realmente, não havia outro trampo que trouxesse mais grana sem mais desgaste de saúde. Experiência? Por mais que eu procurasse, vida de operário é mais ou menos a mesma vida sofrida, sem tempo pra pensar em outra coisa. Vendo meus colegas de trabalho, criando famílias e comprometidos com o sustento delas, vi que não lhes restava outra alternativa a não ser trabalhar reclamando sozinhos.

Sei que dois anos e meio de Japão acrescentam pouco em relação a uma vida inteira. Senti, entretanto, que não haveria muito mais a aprender por ali. "Sem tempo pra pensar em outra coisa"? Meu tempo é a coisa mais preciosa; não posso nem devo pensar assim. Conclusão: vou-me embora.

Com certeza, a curto prazo, estou renunciando a uma renda mensal e todas as facilidades que o dinheiro possa comprar. Mas, quem disse que isso é o mais importante? Não tenho mais a grana, mas ganho mais possibilidades de direção da minha vida, sem falar que agora tenho "tempo pra pensar"!

Então, o que fiz desde o último post de janeiro?

Antes disso, uma explicação: por que não escrevi nada desde então? Porque no Brasil tem ladrão de olho em qualquer japonês que vai viajar. Só agora escrevo este post depois de baixar a poeira e sentir que o perigo já não é tão iminente...

A decisão foi dada em janeiro, mas continuei trabalhando até o fim de março, pois pediram-me que ficasse e desse tempo pra que eles procurassem um cara pra me substituir. Já que não tinha tanta urgência em viajar, tudo bem, fiquei. Boa sorte pra eles, pois poucos se submetem a um trampo como o meu.

A compra de passagem foi feita numa agência de turismo perto de onde morava. Uma nipo-brasileira, aliás, me atendeu.

Mais duas tarefas: dar um destino aos meus objetos pessoais e comprar presentes aos parentes.

O volume das coisas que queria levar, naquela altura, já era enorme. Escolhi o que queria levar nas malas e o resto mandei por transportadora. Até agora espero a chegada das minhas caixas, pois elas estão agora viajando de navio, sem contar o tempo em que ficarão paradas no porto, esperando pelo despachante, coisas do Brasil!!

Agora, os presentes...como é difícil comprar coisas pros outros! Mas acho que fiz boas escolhas. Em geral, foram caixas de chocolate, peças de roupa, lencinhos, potes de chá e tal. Para minha família, tinha que caprichar; assim, fui à cidade-luz: Tóquio. Com olhos de quem vai visitar o lugar pela última vez, passeei pelos cantos da megalópole.

Decidi comprar uma bolsa para minha mãe. Entrei num dos Shoppings no distrito de Shinjuku. Ao ver a clientela – senhoras posudas e elegantes – senti-me um peixe fora d´água. Ao conferir os preços das bolsas, tive a certeza: eu Era um peixe fora d´água! Então, elegantemente, fingi olhar todos os modelos, espantei vendedores dizendo que só estava olhando e caí fora. Enfim, encontrei uma loja menor, com preços mais em conta. Enquanto escolhia uma bolsa, uma vendedora chinesa tentava atender uma gringa e um japa falando em inglês!

Bolsa comprada, próxima parada: Akihabara, a Santa Ifigênia de Tóquio! O que se destaca, é a quantidade de lojas de rua, além de galerias, vendendo produtos eletrônicos, peças de computador e muitas lojas de eletro-eletrônicos duty-free, isto é, que não acrescentam imposto ao preço dos produtos. De lá, levei relógios para meus pais.

Claro, ao pensar que você vai visitar tal lugar pela última vez, você acaba querendo mais coisas para si. Eu, um caçador de música, aumentei minha coleção de CDs, comprando o que talvez nunca iria encontrar no Brasil, nem mesmo pela Internet.

Com esse compra-compra de última hora, tive de mandar uma caixa extra por navio, pois nas malas mal cabiam minhas roupas.

Televisão, vídeo, forno micro-ondas, vendi o que sobrou ao meu colega que morava comigo no apartamento.

Escrito por Alexandre Oshiro às 14h01
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sayonara (2)

Fato inusitado: roubaram minha bike! Ela estava acorrentada na frente do meu apê. Quando fui sair pro trampo, cadê? E ainda faltava um mês para a viagem... Sem bike, as distâncias entre sua casa e as lojas sempre são consideráveis. Não dá pra ficar à pé. Assim, comprei outra bike, dessa vez uma bem baratinha. Alguns dias depois havia levado um tombo com essa nova. Eu, que me acostumara com uma mountain bike, subia e descia calçadas sem problemas, pois o pneu cheio de ranhuras ajudava. Agora, com uma bike de pneu fino e quase liso... Ao desviar de uma pessoa na calçada, desci pra rua, mas ao subir de volta, o pneu não se firmou o suficiente, escorregou de volta, perdi o balanço e ...chão!!! Nada de grave, só um joelho ralado!

Os últimos dias pareciam intermináveis, sobretudo os de trabalho!!! No último dia, como é costume dos japas, presenteei o pessoal com chocolates. Tchau pra fábrica.

Depois, pagar e fechar contas, esperar o pagamento do meu último salário, procurar e comprar de presentes, tudo isso consumiu um tempo que estaria reservado para viajar. Paciência. Mas o Japão não vai fugir do mapa!! Numa próxima oportunidade eu voltarei – só pra passear!!! Sobrou-me uma semana e meia pra resolver minha vida. Ao menos consegui entrar num restaurante de sushis, o que ainda não tinha feito até então. O tal restaurante é um daqueles em que existe um balcão arredondado, por onde corre uma esteira levando pratinhos de sushi e sashimi. Do lado de dentro, um sushiman, com destreza e rapidez, atendia aos pedidos especiais dos fregueses e ainda enchia a esteira. Às vezes ele usava um maçarico para esquentar pedaços de peixe, bem legal. Enfileiradas no balcão do lado de fora, várias torneiras de água quente e potes de pó verde, para fazer chá. Sete pratinhos de sashimi depois, eu estava no céu!!

No dia da viagem, de manhã, uma van contratada pela agência de turismo chegou para me levar ao aeroporto de Narita. Levou quatro horas de viagem. Duas malas, um violão – o mesmo que me acompanhou na ida – e eu esperamos pelo vôo. Fui de classe econômica, num aperto suportável. Ruim é o tempo de viagem até Dallas, onde faria minha escala: Doze horas. Sem falar na sala de espera onde tive que aturar, mesmo de longe, um rapazinho brasileiro com pose de surfista tocando violão. Obrigado a ouvir mpb e reggaezinhos de praia, desejei ficar invisível. Se ele inventasse de me chamar pra tocar junto aquelas musiquinhas, eu faria o surfistinha viajar do lado de fora do avião!

Eu, que havia, saí de um Japão nublado, oscilando entre 10 e 15 graus e encontrei um Brasil ensolarado e beirando os 35 graus!!! Mal saí do aeroporto de Guarulhos, já tive de tirar minha jaqueta!

Mas foi interessante voltar pra Sampa, sobretudo quando se percebe a sujeira na rua, moleques nos faróis tentando limpar pára-brisas limpos, pichações...Como é bom estar de volta!!!

Balanço da minha estada no outro lado do mundo:

  • aprendi a andar de bike ( fato de que aliás, tenho saudades!!!)
  • sem dúvida nenhuma consegui apreender mais da língua japonesa, mesmo sabendo ainda muito pouco;
  • conheci uma outra realidade, outra cultura, lidei com todo tipo de pessoas e me virei como pude;
  • construí boas lembranças por lá e outras, nem tanto!

Foi um período cheio de desafios, vitórias e derrotas, mas, sobretudo, com um maior autoconhecimento do que sou e do que posso fazer. Agora é bola pra frente!

Agora não sei mais o que vou fazer com esse Blog, já que perdeu sua razão de ser. Por enquanto, ele ainda ficará no ar....

Aos que ficaram lá, desejo boa sorte e "Gambatê"!!!. É a sina do dekassegui: lutar todo dia para se manter.

Aos que conseguiram ler tudo até o fim, obrigado e bom descanso!!!

Escrito por Alexandre Oshiro às 11h56
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11/02/2007


Primeiro post de 2007

Pronto, voltei! Apos um pequeno periodo de molho, procurando outra LAN House, este Blog voltei pra atualizar este Blog.

Devo comecar pelo fim - do ano passado! Fui de novo onde vive a civiliacao: Toquio. Tres interminaveis horas de trem e me deparei com esse cenario:

Esta eh Shibuya. Eh um distrito da Grande Toquio, onde coexistem Shoppings careiros, teatros e gente - geralmente jovens - perambulando e mandando e-mails pelo celular. Quem viu o tal "Encontros e Desencontros", o filme da qual mencionei antes, verah que este eh o cruzamento por onde andou a atriz Scarlett Johanson. A camera estava situada e escondida na loja da Starbucks (do lado da arvore na foto). Tirei esta foto sobre a passarela da estacao de trem.

Fui com a intencao de comprar roupas - poucas - decentes. Mas ao deparar com os precos, pensei duzentas vezes e meu bolso agradeceu cheio. Naum podia, entretanto, dar um pulo a minha loja de  CDs preferida - a Tower Records. Oito andares depois, saih de lah com alguns albuns, surpreendentemente todos de artistas japoneses.

Naum me lembro como passei o reveillon. Provavelmente dormindo.

Ainda bem que refreei minha sede por roupas, pois no segundo dia do ano, com a intencao de ir ao cinema, percebi uma grande movimntacao no Shopping aqui em Ota. Era uma grande liquidacao. Banzai! Para se ter uma ideia do pandemonio, os vendedores ficavam nas portas das lojas e anunciavam suas promocoes feito feirantes! Japones, que eh contido por natureza, abriu seus olhos naquele Shopping, que mais me pareceu o bairro do Bras, em Sampa.

Por falar em filme, vi "Eragon" e me decepcionei. Por mais bonitos que fossem os efeitos especiais, foi dificil aguentar um dragao falante! Filme bom foi o novo do Scorcese, "The Departured". Um simples suspence policial, mas bem-feito. E outra surpresa: "Dois filhos de Fancisco" entrou em cartaz por aqui. Claro que eh por causa do Oscar. Soh falta encontrar os Cds do Zeze de Camargo numa loja daqui.  

Escrito por Alexandre Oshiro às 20h29
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30/12/2006


Ferias!

Enfim chegaram minhas ferias! Serao "interminaveis" 4 dias de aventuras e emocoes! Serio, desde o ano passado naum tenho ferias prolongadas - mais de um dia seguido - por aqui. O trabalho jah ficara insuportavel, mas enfim estou livre! Na verdade eh liberdade condicional!

Mesmo com um frio de dez graus quero rever a cidade grande de novo! Toquio, a cidade-luz! Possivelmente vou postar fotos, entao aguarde!

Naum se terei outra oportunidade de ter sua atencao ateh o ano que vem, assim:

FELIZ ANO NOVO!!! 

Escrito por Alexandre Oshiro às 01h44
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16/12/2006


Na semana passada uma dor de barriga - ou serah colica? - me impediu de ir trabalhar. Era comeco de noite, eu havia acabado de acordar e uma dor forte naum me deixava nem em peh. Isso deve resolver se eu for ao banheiro, pensei. Naum era esse o problema. Felizmente tinha remedio em casa e em poucas horas a dor passou.

Eu, que nunca falto no trampo, ao fazer isso, pensaram que faltei porque quis ao algo assim. Mas a pior parte foi ter de trabalhar um dia a mais para compensar a falta. Assim, minha semana ficou mais comprida. Dor de barriga nunca mais!

Enfim chegou a folga! Fui a um restaurante brasileiro pra comemorar. Depois de de muito tempo sem degustar comida brasileira, ela agora me pareceu muito condimentada e salgada! Pronto, me desacostumei! Serah que vou estranhar a vida no Brasil apos tanto tempo fora?

 

Escrito por Alexandre Oshiro às 19h09
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04/12/2006


As temperaturas estao caindo por aqui cada vez mais porem, nem sinal da neve - ainda bem!

Nos ultimos dias os gamemaniacos finalmente viram os lancamentos do Playstation 3 e do Nintendo Wii. O ultimo, no entanto, levou milhares a fazer filas nas lojas de eletronicos. Wii eh considerado um jogo mais amigavel e familiar, pois, em vez do joystick, usa-se um controle remoto que vc precisa agita-lo para jogar. A Nintendo espera vender 4 milhoes ateh o fim do ano. Mas naum ache que vou compra-lo, pois uso meu tempo no "Sleepstation"!

Na CNN vi um programa de debates falando sobre o Brasil. O tema era: "Como diminuir as desigualdades entre ricos e pobres?" Entre os convidados, Gilberto Gil e Marta Suplicy. Todos falando em ingles! Dona Marta, obviamente, falando bem do Lula 2.0 e falando mau ingles. Gilberto mandou perolas, como "brazilian way of life" e "culture is life". Os assuntos naum foram alem de "Education is the key", "We need to create jobs" ou "Bolsa familia". Concordo com a educacao e a necesidade de criar empregos, mas naum vejo nenhuma mobilizacao expressiva por parte do governo para resolver tais problemas. E, como o governo sempre alega falta de verba, Lula 2 serah outro periodo de 4 anos cheio de desculpas e CPIs pra desviar as atencoes. Votou errado, agora aguenta! 

    

Escrito por Alexandre Oshiro às 18h43
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17/11/2006


 Aqui estah ficando cada vez mais frio. E, com ele, veio o resfriado. Assim, fiquei de molho na ultima folga.

Mas na folga anterior, no tempo em que ainda estava bem de saude, fui ao cinema ver o ultimo filme do Jack Black, "Nacho Libre". Mais do que dizer que eh uma comedia media, o filme, a meu ver, eh um pedido de Jack: "Por favor, me aceitem como sou!"

A historia se passa em algum lugar do Mexico, talvez nos anos setenta. Jack eh um cozinheiro de um orfanato catolico e seu sonho eh ser lutador de luta livre. Alias, a cena de luta livre no Mexico, meio circense e com lutadores fantasiados foi a inspiracao para o aparecimento do "Gigantes do Ringue" no Brasil.

No meio de um ambiente repressor cheio de padres, aparece uma jovem freira, interpretada por Winona Rider! Quer mais esquisitice?

Assim, seu desejo de virar um lutador (que, na epoca, significa ter dinheiro, fama e sucesso) e ganhar a aceitacao de irma Winona eh o trampolim para mudar de vida. Na minha interpretacao, Jack Black, que faz comedia baseada em  performances fisicas e caretas, usa o filme para pedir sua aceitaco em Hollywood.  O mundo dos filmes deve ser tao repressivo quanto um orfanato ou uma escola tradicional. E ganhar a bencao de irma Winona eh como ganhar a aceitacao do publico em geral. No filme, tal qual na real, ele quer ser o heroi dos patinhos-feios que se dah bem. Em "O Amor eh Cego", outro filme dele, as piadas principais sao em relacao a mudanca de vista dos considerados esteticamente imperfeitos. Estah lancada a sorte de Jack. E voce, deixaria o garoto ser um big star de Hollywood? Se continuar fazendo filmes legais, naum me importaria...       

Escrito por Alexandre Oshiro às 18h17
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18/10/2006


Hospital japones

Semana passada fui a um hospital para uma consulta com um dermatologista. Hospital chique: para confirmar presenca e esperar pela sua consulta, voce passa por um terminal de computador, coloca seu cartao e pega a sua senha. Nas salas de espera, Tvs digitais de tela fina - da marca Sanyo, jah que sao as mais baratas!

Fui atendido por uma doutora. Eu disse: "Eu quero cabelo, por favor!" Ela disse que, por aquele hospital ela naum poderia receitar um tal remedio, pois ele naum estah numa lista de remedios subsidiados pela prefeitura. Indicou, entao, umas clinicas pra onde eu poderia ir - clinicas que, por acaso, onde ela tambem trabalha. Mas eu acabei sabendo que o tipo de remedio ela quis receitar eh igual a um remedio que tem no Brasil e que acabei levando pra cah. Blah.

Hoje tambem fui ao hospital. Agora pra falar com um urologista. A historia eh que meus pais viram um programa de tv em que se falava de rins e hemodialise. Acharam que eu deveria ir fazer exames pra ver o nivel de acido urico etc. Foi o que eu fiz hoje. O doutor perguntou se eu poderia fazer exame de urina e eu disse sim. Fui levado a um banheirinho hi-tec pra mijar no copinho. Por que hi-tec? De um lado, tinha um mictorio que dah descarga sozinho. De outro, uma privada que levanta a tampa sozinha. Falo serio! Talvez um velhinho mijou sem perceber que a tampa estava fechada! E, na parede, uma portinhola, onde fui instruido a deixar o copinho cheio. Soh faltou uma mao mecanica pra sacudir meu pinto apos fazer xixi!

Vinte minutos depois, o resultado saiu. Sem grandes conclusoes, o medico recomendou um exame de sangue. Eu disse sim. Fui conduzido `a enfermaria, onde estava tudo pronto pra sangria. Sangue tirado e em quarenta minutos saiu o resultado. Incrivel como as coisas andam rapido por aqui. Em Sao Paulo, eu precisava ir a um laboratorio de manha em jejum e esperar pelo resultado por uma semana. Pois entao, com os numeros em maos chegou-se `a grande conclusao: estah tudo bem comigo. Naum sei se fico feliz porque estou bem de saude ou bravo porque, apos todo esse tour no hospital, a resposta do urologista foi tao curta que naum preencheria nem uma linha se fosse escrita. "Naum, doutor, tem certeza? Nivel de glicose, colesterol, deve ter algo de ruim..." "Naum, estah tudo bem".  

Outro detalhe do hospital japones: voce paga na saida, naum na entrada. Levei o papelzinho da minha consulta pra atendente, que disse pra esperar ateh que meu numero aparecesse no monitor, outra tv digital de tela fina e gigante.

Desde a entrada ateh a saida, posso dizer que naum ha outro lugar na cidade onde haja tantos velhinhos como no hospital. Deve ser o "point" deles. Fiquei ateh procupado se eu era jovem demais pra entrar lah.   

Escrito por Alexandre Oshiro às 16h25
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06/10/2006


Em primeiro lugar, quero desejar parabens a minha irma que faz aniversario. Happy Birthday, maninha!

Em segundo lugar, devo explicar o meu sumico por quase um mes: mais uma vez por causa do trabalho. Dessa vez, um colega cortou o dedo numa das maquinas e ficou umas tres semanas de folga. Entao, fiquei sendo o dono da noite! Naum que eu ficasse sozinho na fabrica, tem sempre um japa e uns dois colegas, mas em lugares diferentes. Nesses dias, eu tomava conta de uma maquina ou duas e preparava o servico das outras para o turno seguinte. Cansativo? Estressante? Pode apostar que sim.

Mas eu naum achava nada demais antes de notar uma sensivel queda de cabelos. Passar a mao neles e ver alguns fios entre os dedos eh uma experiencia unica. Porem, na semana que vem vou me consultar com um dermatologista.

Outra novidade: os rumores sao fortes de que havera um rodizio de pessoas entre a noite e o dia. o que significa que, pelo menos por dois meses, voltarei a ver a luz do dia - nas minhas folgas, pelo menos.

Uma ultima novidade, naum muito agradavel: entrarah em vigor, a partir do mes que vem, a cobranca de um super-seguro, unificando seguo-desemprego, seguro-saude e plano de previdencia. Para empregos estaveis, ele eh obrigatorio. No fim das contas, dez por cento do meu salario serah engarfado. Esse foi o jeito do governo salvar sua Previdencia, uma vez que os velhinhos andam vivendo mais do que o esperado. Jah que matar velhinhos eh crime e faz mal para a imagem do governo, a solucao foi fazer os trabalhadores sustenta-los. Espero que meu dinheiro naum sirva pra sustentar um velhinho que aparece de vez em quando no supermercado perto de casa. Estah sempre de ceroulas e vive peidando pelos cantos. Xou, satanas!    

Escrito por Alexandre Oshiro às 16h17
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12/09/2006


Flushing Sound

Esse negocio de trabalho sem fariado - feriados sao soh pra japoneses, aqui naum tenho folga maior do que um dia - tem me deixado um pouco cansado. Tanto que dormir o dia inteiro em vez de vir `a Net escrever pro blog virou preferencia nas ultimas semanas.

Agora uma piada - meio que repetida:

 

Sim, o assento sanitario agora tem um novo botao: "Flushing Sound", que eh o barulho de descarga. Numa loja de conveniencia, acabei encontrando essa belezinha, ilustrada na foto acima. Pra que serve o barulho de descarga? Simples: quem vai se aliviar e naum pode evitar de fazer um barulho mais alto - o que eh constrangedor numa loja de conveniencia - pode pelo menos camufla-lo abrindo mao desse artificio sonoro. Experimentei apertar o tal botao e o barulho parece ser mesmo de descarga. Voce pode aumentar o volume da descarga de mentira se por acaso voce soar mais alto. O que preocupou foi parar o barulho, que estava se extendendo por varios minutos.

Escrito por Alexandre Oshiro às 16h41
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25/08/2006


Dentes e cabecas

Alou, ainda estou vivo, mas alguns dias atras estive mais pra lah do que pra cah. Um dente do ciso, no canto superior esquerdo resolveu nascer agora e a gengiva em volta ficou inflamada. Rapaz, mal conseguia abrir a boca pra comer! Precisava forcar a entrada dos pedacos de comida... Enfim, fui a um dentista.

O dentista japones eh "incrivel", vou explicar. Marco consulta as 11h30 e sou atendido uma hora depois. No consultorio, ha duas cadeiras e TRES assistentes. Enquanto um eh atendido pelo dentista, outro passa por um pre-diagnostico, feito por uma assistente. Eh a propria linha de producao. Isso deveria agilizar o atendimento, mas acabei esperando sentado por mais quinze minutos. Sem falar que o paciente do lado fazia uma obturacao e o som calmante da broca soh me encorajava a esperar pela minha vez. 

Pronto, chegou minha vez. Expliquei onde doi e o motivo da dor etc... O tiozao, usando uma pinca, cutucava os cantos da boca e perguntava: "Doi?" "AAAhhhh!!!", respondia com toda a calma e serenidade. Minha gengiva latejava tanto que se poderia medir a pessao arterial. Cinco minutos depois, estava fora do consultorio com uma receita medica nas maos e uma dor incrivel na boca, bem maior do que quando entrei.

Isso jah faz quase uma semana. Hoje quase estou curado.

Aproveitei minha quase-cura da minha boca pra cortar o cabelo. Decidi ir a um cabelereiro caro que tem dentro de um Shopping Center. "Eh caro, mas deve ter gente competente", pensei. A coisa mais incrivel foi a uma lavadora de cabelo automatica que tinha por lah. Voce deita numa cadeira e encaixa sua cabeca numa pia. Ateh aih tudo bem. Entao, o carinha puxa uma tampa que encaixa na sua testa, coloca uma toalhinha na sua cara e ele aperta uns botoezinhos. Pronto, de lah de dentro, fortes jatos de agua e de shampoo circulam seu couro cabeludo, lavando-o como se fosse roupa. Soh naum tem centrifugacao, ainda bem. Soh fiquei preocupado depois de cinco minutos, enquanto a maquina ainda funcionava. Eu me perguntava: " Naum tem nada de errado? Eu naum levo mais do que um minuto pra lavar a cabeca!" Dez minutos depois, acabou. Soh torcia pra que tivesse alguns fios de cabelo sobrando.

Felizmente o cabelereiro mandou bem no corte. Depois, ao sair do salao, procurava por espelhos no shopping pra "admirar" minha cabeca.    

Escrito por Alexandre Oshiro às 14h17
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01/08/2006


Alou, ainda estou vivo! O trampo `a noite, que usualmente duraria alguns meses, parece-me que vai durar muito mais. Explico: as encomendas estao aumentando e ateh outros setores da fabrica estao comecando a trabalhar 24h por dia. Assim, work at night forever!

Lembro que, em post passado, critiquei a cena Pop japonesa. Nao mudei minha opiniao, mas quero fazer somente uma ressalva: nem todo mundo eh ruim. Como em todos os cantos do mundo, existem poucos herois que fazem sons legais. A quem interessar, vou citar tres nomes:

- Asian Kung-Fu Generation - fazem rock com muita referencia de pos-punk - guitarras e levada a la discoteca - Chegaram a ficar em primeiro lugar nas paradas japonesas. Musica que eu recomendo: "Blue Train";

- Ulfuls - o som deles parece o Rolling Stones dos anos 70, com um vocal gritado e cheio de soul. Recomendo o hit "Samurai Soul".

- Spitz - com 15 anos de estrada, esse grupo recentemente lancou sua coletanea de sucessos "Cicle Hit 1991 - 1997" e "!997 - 2005" - que me mostrou que ha esperanca no mundo rock-pop. Conheci essa banda num programa de Tv, em que se fazia um ranking das melhores musicas pop. De 100 musicas, soh o Spitz emplacou quatro. Soh de ouvir um pouco, percebi como eles fazem musicas bem-resolvidas, que colam na cabeca da gente. 

Pronto, o mundo J-pop foi redimido. Essa lista de nomes eh resultado de uma procura por sons novos que tenho feito por aqui. No Brasil, provavelmente vc pode encontrar CDs dessas bandas no bairro da Liberdade, onde tem - ainda acho que tem - locadoras de CDs.     

Escrito por Alexandre Oshiro às 19h03
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14/07/2006


esforco

Acabou a Copa! Pela madrugada, foi uma Copa chata! Hoje em dia o que vale eh o resultado positivo, ou seja, estudar o oponente e evita-lo de fazer gols ficou mais importante do que jogar bola. Com todo investimento de empresas no marketing esportivo, todos acabam fazendo isso. E, claro, o Brasil tambem entrou nessa. Talvez a coisa mais memoravel da copa seja o Zidane perdendo a cabeca e o jogador italiano achando-a. Pra mim, ficou a seguinte sensacao: o jogo de xadrez da Franca perdeu pro jogo catimbado da Italia. Seria legal se Portugal, com um time esforcado, pudesse ter ganho a competicao, como se amoral da historia fosse: quem mereceu por esforco ganhou. Mas futebol eh isso mesmo. Chega!!!

Falando em escorco, tive um daqueles dias em que todas as pendencias foram resolvidas. Seja no banco, no correio, ou nas tarefas diarias, tudo foi resolvido, o que me custou ficar acordaod por mais de 24 horas. Percebi que eu trouxe uma mania que tinha no Brasil: guardar todo tipo de quinquilharia no meu quarto. A mesma mania da minha mae de querer reutilizar coisas (aquele copo de requeijao, aquele vidro de maionese etc) levei pra cah. Assim, dezenas de saquinhos de supermercado, correspondencias, catalogos, o que fosse, eu acabei guardando. "Porque preciso de tanto saquinho?", pensei. Naum produzo tanto lixo pra encher todos esses saquinhos!

Quem assistiu na FEA as aulas do Lino de Sistemas de informacao, vai se lembrar de um livro: "Pai Rico, Pai Pobre", de Robert Shiyosaki. Pois bem, estava eu zapeando os canais da tv noutro dia quando vi um comercial do curso do Shiyosaki. "Inteligencia financeira" consiste em doze CDs e o jogo Cashflow - aquele da corrida dos ratos... "Esse curso mudou totalmente minha vida!", falou um japones num "depoimento". Mas um cliche eh verdade: " fazer seu dinheiro trabalhar por voce". Seu dia eh limitado a 24 horas e lutar pra que dure um minuto a mais pra aumentar sua renda naum eh a melhor alternativa, certo? E entao, vou comprar o curso? Naaaum, Pai Rico ensinou-me a naum gastar dinheiro! 

Escrito por Alexandre Oshiro às 19h19
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02/07/2006


Voce eh o que voce come

O sonho do hexa acabou pro Brasil. "Naum precisa me lembrar disso.." vc diria. Pois eh, agora vou torcer por Portugal! Da-lhe, Felipao! Pedala, Cristiano Ronaldo!

Mudando de assunto: de futebol para culinaria. "Voce eh o que voce come". naum vah pensar em besteira, please. Eu devo ter escrito em um post passado que eu aderira `a comida de preguicoso, isto eh, aquela pronta pra comer etc. Esse habito vai acabar. Primeiro, porque naum eh saudavel, esse tipo de comida estah cheio de conservantes. (Que novidade, que tipo de comida naum tem?) Segundo, porque os sintomas de desgaste em trabalhar de noite (seja o sono, olhos cansados, stress) soh se agravam ao me alimentar mal. Assim, ao menos por este mes, vou colocar minha lista de resolucoes alimentares:

- Prepararei minhas refeicoes e evitarei comprar pratos prontos;

- Evitarei tambem as bebidas doces, agora ficarei no cha e na agua;

- Diminuirei o tamanho das minhas refeicoes, o suficiente para matar a fome.

E quanto a falta de tempo? Isso deve se resolver deixando legumes, verduras etc lavados e cortados pra consumir durante a semana. Alem disso, acabei de comprar uma garrafa termica, que serah enchida por agua, cha, ou sucos sem acucar, o que me evita encarar a maquina de refirgerantes. O corpo eh o templo da alma. Cuida-lo eh nosso dever. Desequilibrios na alimentacao refletem em desequilibrios da alma.

Chega de bancar o Drausio Varella!  

Escrito por Alexandre Oshiro às 17h38
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26/06/2006


Pois eh, deu "Zica" na selacao japonesa. No entanto, os jogadores foram aplaudidos por muitos torcedores no saguao do aeroporto. Ao vivo, soh pude acompanhar o gol do Fred, no comeco do segundo tempo. Depois, fui pro trampo. Apos o jogo BRA X JPN, houve noticia de que um brasileiro e um japones estavam brigando na rua por provocacoes futebolisticas. Deixa pra lah, eh soh futebol.

 Outro brasileiro deu o ar de sua graca faz tres dias. Eu estava voltando da fabrica pra casa, era uma manha de sol. Ao andar por uma loja de motos que tem aqui perto, eis que passa pela rua um carro, com a janelinha de tras aberta. De lah, identifiquei um rosto redondo negro, com barba e oculos. Era o sambista Jorge Aragao. O carro passou ao meu lado, mas naum pude cumprimenta-lo nem pedir autografo, pois desconfiava se ele era o proprio. Eu soh fiquei olhando e tentando lembrar o nome dele. Agora tenho certeza de que era ele, pois o proprio se apresentou por aqui, de acordo com um cartaz que eu havia visto numa loja brasileira. Se eu fosse chama-lo, na certa eu iria cometer alguma gafe do tipo:

- Olah, Renato Aragao!

- Peraih, eu te conheco de algum lugar. Vc eh aquele sambista famoso....Aquele que canta aquela musica...Putz, qual o seu nome mesmo?

- Oi, vc eh o Jorge Aragao? Putz, cara, detesto samba. O que vc veio fazer aqui?

-Jorge Aragao! Me dah um autografo? Pode ser nesse papel mesmo, depois eu passo a limpo...

Como naum pude ir ao show - nem queria! - naum sei o que aconteceu. Mas, com certeza, fazer japones sambar naum deve ter sido tarefa facil! 

Escrito por Alexandre Oshiro às 20h51
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